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Textos - 2000
(por Ricardo Roqueiro)

 


28/11/00 - Torcedor do ECO relata o acesso em Mococa
Publicado no Fórum do ECO OnLine e republicado por Eduardo Gouvêa no primeiro site da NAÇÃO e no Super Futebol

Amigos, vou lhes contar uma história que aconteceu comigo. Nasci em Osasco e sou osasquense com muito orgulho. Torço para o time de futebol da cidade, o EC Osasco. Em 2000 estávamos na luta para subir da quinta (Série B-2) para a quarta divisão (Série B-1) e sair desse quinto dos infernos!!!

Chegamos à semifinal, e era só nos classificarmos para a final para subirmos de divisão. O nosso adversário era o Radium de Mococa, que enfrentamos em dois jogos, ida e volta. O primeiro, em Osasco, ganhamos por 1 a 0, com dois jogadores a menos e aos 42 minutos do segundo tempo. No segundo jogo, em Mococa, precisávamos de um empate. Derrota por qualquer placar nos faria ter que amargar mais um ano nessa quinta dos infernos.

A diretoria do ECO bancou ônibus para a torcida. Decidi ir ao jogo. Vocês fazem idéia de onde é Mococa? Uns 300 quilômetros de Osasco. Tem que ir até Campinas, pegar uma outra estrada, e passa Holambra, passa Mogi Mirim, passa Mogi-Guaçu, passa Rio Pardo, passa a puta que pariu, passa Casa Branca e quando chega quase a Minas, é a cidade.

Sem parada seriam 4 horas para ir e mais 4 para voltar. Fomos em seis ônibus com uns 40 torcedores em cada. Fui no da molecada, só tinha cara de 16, 17 anos. Eu devia ser o segundo mais velho. Saímos às 9h50 de Osasco. Paramos antes de Campinas, num restaurante para irmos ao banheiro (a comida era muito cara!!!), depois em Campinas, porque tava dando zica em um busão e finalmente em Casa Branca, para comer. Chegamos em Mococa por volta das 15h40, entramos na cidade cantando, soltando rojões e zoando.

Começa o jogo, os caras de Mococa aos invés de ficar zoando só no verbal, partiram para a agressão. Primeiro foi um copo de cerveja, depois pedra, depois pau...até que eles vieram para cima da gente. Os policiais entraram no meio e nos protegeram, mesmo assim tomei uma pedrada no peito, do lado esquerdo. Fiquei puto.

Ficamos acuados, num canto na parte de cima da arquibancada. O presidente da nossa Torcida, o Marcão, chamou um cara deles para acalmar a situação. O velho começou a gritar com ele, dizendo que ia levá-lo preso - devia ser de delegado de policia... E ainda por cima nos chamaram de favelados!!!

No jogo tomamos um puta sufoco. Bola na trave, defesaça do goleiro, zagueiro tomando chute à queima-roupa que ia para o gol... Trinta e cinco do segundo tempo, eles estavam com um a menos,que saiu por contusão e o técnico já havia feito as três substituições. Num desses chutes à queima-roupa, a bola sobrou do lado esquerdo, cruzamento na área, cabeçada e gol do Radium. Porra! Além de todo sofrimento, voltar para casa derrotado?

Aí começa...o goleiro se ajoelha na frente de nossa Torcida e fica berrando que nem um porco. Junta uma parte da torcida de Mococa lá embaixo, na nossa frente, de costas para o campo, e começa a gritar, apontado com o dedo: "Ih, fora! Ih, fora!" E "nóis" nervoso, olhando para o jogo.

Nosso goleiro vai para área nas bolas paradas, time em cima, uma loucura. 45 do segundo tempo, escanteio do lado direito, goleiro na área e o escambal. A bola viaja na grande área e é espanada. Sobra do lado-esquerdo, e o lateral-esquerdo Junior, reserva durante todo o campeonato, pega um chute animal. A bola vai no canto esquerdo superior do gol do Radium. O goleiro vai na bola, mas ela passa entre suas mãos e estufa as redes. GOOOOOOOOOOOOOOOL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Que emoção!!! Mal consigo gritar e até choro... E o goleiro que estava alegrinho "sifu" legal. E o melhor de tudo, os caras que estavam lá, de costas para o gol na hora do jogo, quando nos viram gritando olharam para o campo, mas era tarde demais. Ficaram com as mãos na cabeça, se lamentando.

Agora era só segurar quatro minutos de desconto até que....acabou!!! A maior festa. Descemos da arquibancada e fomos junto ao alambrado comemorar com os jogadores e a diretoria.

Na saída fomos escoltados pela polícia (o mesmo aconteceu quando chegamos). Para terminar teve um motoqueiro que furou a escolta e queria nos ameaçar, mas não conseguiu nada. Esse cara era folgado, mas o visual da cidade e o caminho é "ducaraio". Vi um puta de um céu estrelado lindo e limpo, coisa que não dá nem pra sonhar na capital. Saímos às 19h, tivemos três paradas por causa de um busão zicado (de novo). Cheguei na cidade às 23h e em casa às 23h30.

Valeu todo o sofrimento de todos que foram e de quem acompanhou o time no campeonato. Agora para a festa ser completa só precisa ser campeão, e a final é contra o Palmeiras B. Estou insuportavelmente feliz.

 
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